As principais tendências em inteligência de mercado para 2017

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Depois da triste retrospectiva de 2016, muita gente deseja encarar 2017 como um respiro, e se enche de esperança sobre um novo ano mais próspero. A área de inteligência de mercado, por exemplo, trará uma série de tendências que farão toda a diferença a este ano, que será de trabalho duro.

Jorge Galvão, professor no Ibramerc, prevê algumas mudanças que tendem a contemplar esta área em 2017, são elas: “O deslocamento de profissionais de inteligência para mais próximo dos decisores das organizações - as que ainda têm o sistema hierárquico do passado - o profissional de inteligência deve sair de um mero coadjuvante nas áreas Comercial e de Marketing, para participar das decisões da Presidência. O uso mais intensivo da AIC (Inteligência Artificial Cognitiva), nas empresas que já tinham algum relacionamento com Big Data”.

 O que mudou em Inteligência de Mercado?

Com tantas mudanças sociais e tecnológicas, alem de questões econômicas de peso, obviamente que a área de inteligência de mercado se reinventaria de alguma forma.

Falamos sobre isso com o Celso Lima, gerente de inteligência de mercado da Sodexo, que contou que praticamente tudo mudou: “há 20 anos pouco se falava em inteligência de mercado, era algo visto de forma superficial. Graças à globalização, hoje vemos uma área mais madura e “chave” o comercial e planejamento estratégico. Temos softwares e ferramentas de monitoramento, KPIs mais estruturados, cursos especializados em faculdades e conscientização das empresas sobre a importância dessa atividade”.

O Victor Acquaviva acredita que a tecnologia foi o fator de maior influência nesta mudança em inteligência de mercado: “Mecanismos de busca de informação se tornaram mais ágeis. Porém, em contrapartida, esta agilidade pode ser seguida de superficialidade. As fontes públicas não são os locais em que se encontra a informação mais valiosa. É necessário muito estudo e pesquisa. Outra mudança importante foi o reconhecimento de que a área gera valor, pois há 20 anos havia muito menos empresas com áreas de IM estruturadas. Hoje, empresas de médio e até mesmo pequeno porte têm áreas de IM”.

Existem transformações que não podemos prever, é claro, mas alguns fatores terão peso nos próximos anos, conforme IM for amadurecendo. Fiquem atentos, que não só de boas mudanças a área de inteligência está fadada.

O Celso explica: “É uma área que ainda precisa amadurecer, existem poucos estudos e livros se compararmos com áreas de finanças ou RH. Acredito que a principal mudança é a valorização rápida que essa área irá sofrer em curto prazo”.

Para o Victor, existe uma necessidade latente de entregar cada vez mais: “a área de IM já ganhou espaço nas empresas. Hoje vejo que precisa ganhar eficiência. Fazer mais com menos, entregar mais resultados, estar cada vez mais à frente de tudo o que pode. Em períodos de crise, principalmente, eficiência é a palavra para corrermos atrás”.

No ponto de vista do Jorge: O que era apenas uma ferramenta de gestão (modernosa) de grandes empresas e corporações, passou a ser necessidade básica de sobrevivência de qualquer empresa. A velocidade das mudanças imposta pela tecnologia da informação e o desenvolvimento de novos materiais e hábitos de consumo, tornou o próprio mercado predador, engolindo concorrentes dentro de um mesmo mercado, mais rápido que os grupos estratégicos podiam entender, ou seja, o concorrente “deixou de ser” o meu maior problema, já que eu nem sabia quem era meu verdadeiro concorrente. A previsibilidade do futuro (diminuição de riscos estratégicos) proposta pela IM é “música para os ouvidos” dos gestores das empresas.

A mesma tecnologia, porém, deu muito mais consistência à validação de dados e ao fluxo de IM (dado é Informação e conhecimento é Inteligência e decisão), e a decisão ganhou em assertividade. Deixou de ser algo distante e “modernoso” e passou a dar resultados práticos. As fontes passaram a ser mais facilmente questionadas, e o profissional de inteligência teve que se acostumar com os BI´s. Os dados deixaram de ser comparados em apenas duas dimensões, e rapidamente a multidimensionalidade deu lugar ao Big Data. A Inteligência Artificial Cognitiva era apenas um sonho distante, inatingível, há 20 anos”

Nossa sorte é que em IM não tem tempo ruim, desde que seja colocada em prática a tática certa, com as ferramentas certas. Está curioso para saber o que a área reserva?

Então, vamos às novidades, ou nem tanto. Conheça a seguir 4 das tendências que você precisa dar uma atenção especial neste próximo ano para não perder o ritmo.

1 - Big data

Em tradução livre Big Data significa “grandes dados”, que pode ser definida em 3 importantes palavras, são elas volume, velocidade e variedade.

Volume se refere à grande quantidade de dados; velocidade se refere ao fluxo com que as novidades chegam, sendo assim, o ágil aumento destes dados e variedade se referem às formas com que estes dados chegam e são divulgados, como blogs, vídeos e áudios, por exemplo.

Mas o que Big Data tem a ver com inteligência de mercado?

Respondo: tudo! Big data é uma ferramenta bastante usada para coleta de dados, e o que é inteligência de mercado senão uma constante coleta de dados para disponibilizar ações viáveis à uma empresa?

2 – Digital

De acordo com o Victor Acquaviva, conselheiro do Ibramerc e gestor de operações de Varejo do Boticário, “o canal digital transformou o mundo. E tende a transformar cada vez mais. Um analista de IM precisa estar em linha com essas tendências. Não é novidade, mas muda muito e tende a ser foco do trabalho de IM”.

Isto faz todo o sentido quando consideramos que: “o investimento em mídia, por exemplo, cresceu demais em canais digitais (internet, redes sociais, etc.) e diminuiu em outros canais como TV; O valor de mercado da Amazon é superior aos 10 maiores varejistas dos EUA, juntos e a Netflix já fatura no Brasil mais que o SBT”.

Sendo assim, invista no digital para acompanhar o ritmo com que inteligência de mercado se atualiza.

3 - Automação de informações

Automação de informações é um processo utilizado para organizar e controlar tarefas, em Inteligência de Mercado caberia para garantir o andamento das principais tecnologias da área.

Funcionaria como facilitador para evitar a repetição de ações, isto é, descomplicar as principais funções em IM a fim de coletar informações. Visão estratégica, integração de processos através de diversos canais-online, mensuração e otimização da experiência são algumas das características possíveis somente se for colocado em prática o processo de automação.

4 - Softwares específicos

Com o crescimento da área é comum que grandes empresas de tecnologia desenvolvam softwares especialmente para IM.

Isto é, ferramentas que facilitam a atuação, bem como softwares para análise gráfica em mapas geográficos, importação de planilhas, relação de clientes ativos e muitas outras utilidades que facilitam a vida do profissional de inteligência de mercado.

O Jorge Galvão complementa: “em 2017, os profissionais de inteligência vão ser ainda mais valorizados e o uso da Inteligência Artificial Cognitiva vai melhorar ainda mais a captura (coleta) e validação de dados, minimamente, relacionados. Assim os dados não relacionados serão mais facilmente descobertos e trabalhados pelos profissionais de IM, causando uma inovação que até então nós não tínhamos capacidade de enxergar”.

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